sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Adenda ao post anterior

E por aqui se vê que:
1- trabalhar 11 dias seguidos tem consequencias. Graves.
2- O pessoal anda atento.
3- O pessoal efectivamente atenta no que eu escrevo. Isso sim, é perigoso...

O paragráfo deveria conter algo do género:

Trocado por miúdos: para estimularmos (gosto do verbo estimular, acho... estimulante!) o crescimento económico, baixamos as taxas de juro; isto representa um incentivo ao consumo, aumenta o PIB (lá está, temos crescimento) e tal... mas gera pressões inflacionárias (aumento de preços). Se aumentarmos a taxa de juro, fica mais caro pedir dinheiro, existe menor incentivo ao consumo, controla-se melhor os preços, mas o crescimento económico... pois... temos pena...

Fica aqui a correcção, mas a calinada continua lá em baixo... dá um ar de distraída e tudo... obrigada Vitor e Tavguinu pelo reparo! É bom saber que pessoal deste com neurónios pensantes, funcionantes e atentos me dá crédito... ainda que a altas taxas de juro!

5 comentários:

Marta disse...

Tu andas toda queimadinha!

Vitor disse...

Não tens nada que agradecer amiga, a malta não está aqui para mais nada que não seja apontar, sublinhar e publicitar os teus erros!

Actriz Principal disse...

Marta,
Pois ando! Tu bem sabes... mas hoje não é para pensar em trabalho!
Beijos e ti jei...

Vitor,
Andas tão atento, que ternura!
Quase que me apetece dizer-te algo tonto do tipo "putchipupu" ou o camandro...

AEnima disse...

É a famosa curva de Phillips a funcionar né?

Bem, como tu explicas e muito bem, (só te enganaste foi a dizer que desce em vez de aumenta mas toda a gente percebeu que era o que querias dizer) a principal ideia por trás da baixa das taxas de juro (com implicações inflacionistas claro) está na promoção do investimento privado e criação de postos de trabalho... a tal promessa socratiana que não estava a ser possível porque quem controla as taxas é o BCE e não o Governo. Aí está a questão... não somos nós que decidimos a nossa política monetária. E no fundo, nem a fiscal, por causa dos critérios de convergência e das multas do tratado de amesterdão, né?

A maneira tradicional de combater as pressões inflaccionistas directamente é com as operações de open market de venda de títulos, que o Governo tb não pode fazer, por causa da escalada da dívida pública... Até já foderam a malta com os Certificados de Aforro,e de muito má fé... um governo não pode fazer uma coisa destas...é imoral, é contra o contrato que fizeram com o povo que o financiou... ainda ando revoltada com isto, mas é uma grande história.

No entanto, o que anda a funcionar são as medidas indirectas. Com o incentivo à produção e ao desenvolvimento tecnológico, os produtos substitutos multiplicam-se, criando concorrência nos mercados e controlo dos preços. Isto tem funcionado bem nos mercados dos produtos tecnológicos novos como os telemóveis e computadores (etcetcetc) que até fazem sobrestimar o índice de preços do Consumidor - estes contem uma marca de produtos, que o mercado facilmente substitui por outra quando o preço relativo altera. Mesmo assim, muito insuficiente para o que estamos a precisar.

A nível mundial preocupa-me a escalada do preço dos cereais, a mudança lenta demais da mudança de combustíveis fósseis para os naturais, o problema da crise imobiliária e do crédito mal parado, principalmente nos US, que o Orçamento de guerra está a arrastá-los para a fossa e com eles vai a Europa atrás.

Em Portugal, para mim, o caso mais grave é que as medidas legislativas que o ministro das finanças tem imposto, junto com o término europeu do segredo bancário, que atirou por terra toda a motivação dos privados para investir em empresas próprias, mesmo com as medidas de baixa da taxa de juro. O descrédito político parece-me a causa pior da moral em baixo dos pequenos empresários... e são estes que sustentam o nosso país.

Este país está bom para os grandes grupos, que conseguem proliferar as suas fusões e aquisições de empresas menores com dificuldades à venda ao preço da chuva, esta tendência para a formação oligopólios (cartéis até) e monopólios naturais; e a autoridade da concorrência acaba por ser fictícia no combate a isto. Só o governo não vê.

É pá... desculpa tanta palavrinha. Já devia sentir saudades de falar de economia e nem sabia. Beijinho!

Actriz Principal disse...

Aenima,
Mainada!
Quer dizer, creio que te estarias a referir à curva de Philips de curto prazo, já que a do longo prazo não representa tradeoff absolutamente nenhum. Até porque o que interessa é mais o aqui e agora... já que, como bem diria o nosso amigo Keynes: "in the long run, we are all dead".
O problema do nosso país intensificou-se a partir do momento em que perdemos a nossa política monetária. Se antes já não era fácil, então depois foi um autêntico ir por aí abaixo, sobretudo quando consideramos que Portugal tem tendência para andar em contraciclo face às economias chamadas fortes da UE.
Afinal não era bem um mainada, mas um deixa-me lá concordar contigo, que tens razão, miúda. Adoro tipas inteligentes!
Beijos para ti também!