Não, não é engraçada; quanto muito, seria desengraçada, desengonçada, desastrada (esse já foi... ou já era - o passado nunca foi o meu forte, vivo o presente, com um olho no futuro). Fica destrambelhada. Como eu!
Enquanto desfolhava a Happy de Outubro e lia um artigo sobre como é bom ver filmes que nos despertam emoções, reparei que uma das caixas de texto mencionava o fabuloso Magnolia.
Tirando 4 ou 5 filmes que eu amo ver vezes sem conta, não sou grande adepta de os repetir. É que, na verdade, se há tantos que ainda não vi, porquê entreter-me novamente com um que já conheço a história?
Contudo, e como a minha memória é um falhanço em lá menor, admito que, fora as histórias de coincidências relatadas no início do filme e a duração de três horas, já nem me recordava de mais nada. Tendo o DVD em casa, lá estive a ver, como se fosse a primeira vez. Mesmo!
É um case study de personalidades. De actos e de consequências. De forças e de fraquezas. Um entrelaçar de histórias. Não é um filme nem é a vida real. É o conjunto de escolhas que cada um fez. Do que nos fizeram e do que isso fez de nós. Melhor dizendo, do que nos fizeram e do que nós fizemos disso.
(Nota: se não viram o filme e pretendem vê-lo, não leiam daqui para a frente, ok?)
Da jovem que se destroi diariamente e que já não quer conversa com o pai, porque ele não quis conversar com ela quando foi confrontado.
Do adulto desgraçadinho e infeliz cujos pais arrecadaram todo o dinheiro que ganhou quando ele brilhava pela sua inteligência e cultura; e do miúdo geniozinho e confuso que levará o mesmo caminho se não conseguir impor-sea tempo ao próprio pai.
Do macho man que dá cursos de como-comer-gajas-e-deitá.las-fora-a-seguir que mente sobre o seu passado familiar; aliás, o filme poderia ser inteiramente sobre ele.
Da femme fatale que se casou com um velhote por interesse, enganou-o mais vezes do que ela mesma consegue aceitar, e que se apaixonou por ele quando este já se encontra à espera da morte.
Do polícia bom e com princípios cujo primeiro casamente correu mal, mas que ainda assim acredita que poderá ser feliz ao lado de alguém.
Do apresentador de televisão conhecido e acarinhado pelo público, com uma vida particular... virtudes públicas e vícios privados.
E così via...
And there is the account of the hanging of three men, and a scuba diver, and a suicide. There are stories of coincidence and chance, of intersections and strange things told, and which is which and who only knows? And we generally say, "Well, if that was in a movie, I wouldn't believe it." Someone's so-and-so met someone else's so-and-so and so on. And it is in the humble opinion of this narrator that strange things happen all the time. And so it goes, and so it goes. And the book says, "We may be through with the past, but the past ain't through with us."
Claudia Wilson Gator: It's not / What you thought / When you first began it / You got / What you want / Now you can hardly stand it though / By now you know / It's not going to stop
Jim Kurring: It's not going to stop / It's not going to stop / 'Til you wise up
Jimmy Gator: You're sure / There's a cure / And you have finally found it
Quiz Kid Donnie Smith: You think / One drink / Will shrink you 'til you're underground / And living down / But it's not going to stop
Phil Parma: It's not going to stop
Earl Partridge: It's not going to stop / 'Til you wise up
Linda Partridge: Prepare a list for what you need / Before you sign away the deed / 'Cause it's not going to stop
Frank T.J. Mackey: It's not going to stop / It's not going to stop / 'Til you wise up / No, it's not going to stop / 'Til you wise up / No, it's not going to stop
Stanley Spector: So just... give up
"We may be through with the past, but the past ain't through with us." E é tão verdade!
Já deu para ver que ando numa de cultura; mais precisamente, de teatro. No ano passado, liguei pouquinho, já que fui apenas ver o Hamlet (peça de orçamento reduzido no que toca ao guarda-roupa, já que o pessoal, ainda que vestido, andou descalço* o tempo todo; isto é gente com falta de visão que poupa ao tostão para gastar ao milhão. E porquê? Porque tiveram de investir imenso em brises ambiances e coisas dessas, para que o Teatro Maria Matos não fosse confundido com uma fábrica artesanal de queijo da serra).
Ah!, parti-me a rir com alguns dos Melhores Sketches dos Monty Python; o da Última Ceia e os dos gajos muito ricos mas que foram muito pobres são, definitivamente, os melhores.
Pois na semana passada diverti-me com O Avarento. Já ontem, tratei de ir ao Chapitô assistir ao Drákula.
Bom, como facilmente se poderá perceber, eu não teço comentários por aí além das peças que vejo ou dos filmes que assisto** no cinema. Na verdade, ou gosto, ou não gosto. E esta está mesmo muito gira. Pela história em si, pelos 3 actores que se "desmultiplicam"*** em 30 diferentes personagens... a simplicidade do cenário multifacetado, as mímicas fabulosas (sobretudo as das viagens - carruagem, comboio e barco), as expressões faciais, os pequenos detalhes de nonsense que nos faziam rir à gargalhada, a proximidade do público que cria um ambiente íntimo... gostei muito!
E é uma boa forma de acabar a semana: em comédia... já que umas horas antes a minha vida ia dando em tragédia.
Este estuporzinho com focinho de anjo estava numa de actividades radicais; a sua sorte foi eu ter uns nervos de aço, não entrar em pânico e agarrá-la no último segundo... acho que perdi 3 anos de vida em menos de 10 segundos. Porra!
Música: a propósito de uma conversa do fabuloso jantar de sábado sobre anos 80 vs anos 90, moda retro, saias tipo balão, pala na franja e coisas destas, fui desenterrar o Zap Canal, das Três Tristes Tigres, banda feminina dos anos 90... bem medidos... corpo em câmara lenta... corações mais distraídos... e matéria mais cinzenta. Hum, terá sido o Rui Reininho a escrever estas letras?
*- Aquilo é que foi um fartote para os fetichistas de pés, caramba!
** - Será mais correcto escrever "...ou dos filmes que assistia...", já que a última vez que fui ao cinema foi em Julho do ano passado. Fui ver os Simpsons. Na verdade, deve ser por estar fartinha de filmes; é que já bastam os meus, devo andar sem pachorra para ver os dos outros!
Aconselho vivamente! Peça O Avarento Ou A Última Festa, no Pequeno Auditório do CCB, até dia 19 (sim, acaba já no sábado, despachem-se!!!).
Mas atenção: ainda que diga que é para maiores de 12, na prática é para maiores de 16. De facto, por vezes abusam um pouco das asneiradas. A primeira parte é mais gira do que a segunda.
Atente-se no timing: apanhei boleia da Anocas Pimentinha que, no seu modo relaxado e pensando que o teletransporte é uma realidade*, nos fez chegar, correr e entrar quando as portas automáticas estavam a fechar**. Ainda não me tinha sentado e estavam a começar. E eu na primeira fila, que vergonha!!!
(hoje não há tempo para escolher cantorias... fica para a próxima)
* Às 15h19 está nas portagens da ponte Vasco da Gama, para me apanhar perto de Benfica, descermos até Belém, estacionarmos, etc... com uma chuva que raiava o dilúvio... para assistirmos a uma peça que começa às 16h00. E viva a descontração e estupidez natural! ** Por um nanossegundo, senti-me o verdadeiro Martim Moniz.
(Nota: para ouvir a música, clicar no DJ aí ao lado; é que ando numa de shake e, parecendo que não, pode incomodar. Já agora e para despachar essa parte: Samin – Heater – ouvi esta pela primeira vez no Sasha, em Agosto do ano passado e ficou-me no ouvido; aparentemente, está na berra)
Enquanto procuro inspiração para trabalhos importantes, faço uma pausa nas minhas procuras na net (esta é quase tão engraçada quanto a daquele crítico de televisão que fazia umas pausas... vendo TV) e coordeno (mal, ou apenas um pouco - o tempo não abunda) as minhas impressões sobre 3... vá lá, 3 temas e meio que me vêm à cabeça de uma assentada, estando de alguma forma relacionados (mesmo que não fossem, arranjava-se sempre uma forma de os encaixar, que poder de encaixe é coisa que não falta nestas bandas, graças ao senhor*/**) .
Um dos temas abordados no Jornal de Negócios de hoje é o do drama das pensões. Quer dizer, não será bem um drama, mas mais uma tragédia, se quiser se mais exacta (há pense que possa ser um verdadeiro horror. Também não discordo). Ah!, a notícia: é esta. Ou seja, e em duas penadas, os valores das pensões terão tendência para baixar ao longo dos anos. Quem – como muito provavelmente eu – se reformar daqui a 30 e tal anos, ou casou com um gajo rico, ou teve uma boa carreira e cabeça para não estoirar tudo em rebuçados e chocolates deixando uma parte para meia dúzia de PPRs e uma carteira diversificada de investimentos... ou deverá rezar para ir desta para melhor bem rapidinho, porque o rendimento baixa e os custos com a saúde sobem.
Mantendo o tom superficial e ligeiro (não me apetece atirar-me ao chão e chorar), deixo apenas notas soltas:
a) + b) Resultado: nascem menos crianços, o pessoal vive até mais tarde, abunda a brigada do reumático e escasseia pessoal para copos; por outras palavras, quando está Sol, a probabilidade de ver um bando de geriátricos a jogar sueca no parque ao lado de casa é o dobro da probabilidade da leitura do livro ser incomodada pelo grito das criancinhas que se expandem porque vieram à rua.
Frase c) a medicina tem avançado de forma exponencial na procura de cura para várias doenças Frase d) infelizmente, cura-se esta maleita, surge uma nova; os vírus são como as baratas (não porque metam nojo aos cães, tadinhos que nem os conseguimos ver, mas porque sofrem mutações)
c) + d) Resultado: ainda que hoje em dia haja cura para muitas doenças que devastaram no passado, não somos imunes a tudo. Podemos até dizer que nalguns casos estamos na chamada solução de compromisso (por exemplo, com o cocktail de antivíricos certo, podemos transformar a SIDA numa doença crónica, o que já não é mau). À medida que envelhecemos, começamos a sofrer de maleitas que não tivemos na juventude. Doenças até haverão que apenas os velhinhos terão... porque são velhinhos. E ainda pouco se saberá sobre as doenças dos velhinhos... porque agora sim, é que existem muito velhinhos (ainda que a bíblia tenha umas matemáticas estranhas***, basta espreitar aqui – mas também há que ver que na altura não existiam médicos nem cientistas... nem druidas, mas não tenho a certeza quanto aos últimos).
Conclusão:vivemos mais tempo, com menos saúde, com menos rendimentos e pior qualidade de vida.
Esta sim, é que vive bem! Até tem a casa mobilada mais depressa que eu, graças à minha rica mãezinha, que lhe comprou uma caminha nova toda bonita e uma tábua XPTO para fazer a sua manicure, em vez de tratar de arranhar os sofás, as cadeiras da cozinha e o projecto de cama que, juntamente com a mesa da cozinha são as peças que me servem de mobília. Hum... acho que está na altura de dar a Festa Minimalista lá em casa...
*- Atente-se no facto de ser o senhor e não O Senhor, que com estas coisas não se brinca... muito. Ainda que por vezes pense que A Entidade terá um sentido de humor mais cáustico que o meu! ** - Qual senhor? Pá, nenhum em especial; simplesmente, achei que ficaria bem na frase. Para além disso, criou a oportunidade única de associar dois (sim, DOIS!!!) footnotes (estas coisas que estarás a ler neste preciso momento) ao mesmo excerto. Já no post anterior tinha notas das notas. Provavelmente, dentro de pouco tempo, irei bater o record de notas num só post... só para ser diferente, claro! *** - Sim, quase todos sabemos que uma parábola será algo da forma y = ax2 + bx + c e não uma história com apontamentos didácticos de moral...